5 de novembro de 2011

Em Sônia

Três horas da manhã e o cérebro ainda funciona no mesmo ritmo das asas do pernilongo a procura de luz no quarto escuro.
Vira de um lado para o outro, de outro para um lado e nada de sono por perto.
A pressa de que chegue logo a manhã seguinte ocupa o lugar de dormir e não deixa ninguém apertar o botão "desligar". E o pior de tudo é que não há absolutamente nada de especial na manhã que vem. E o pior de tudo é que, se não dormir agora, sabe que nem existirá a manhã de amanhã.
Um bocejo: um sinal.
Como uma donzela a esperar na janela por seu príncipe encantado, aguarda, impacientemente, que Morfeu a acolha em seus calorosos braços. E depressa, por favor!
Papel, caneta, lanterna em mãos, as idéias dançam, é preciso esvaziar. As idéias surgem - um poema, uma peça, uma música, uma carta de amor e nada de olhos pesando.
Olha para o escuro e escuta que até o pernilongo já foi dormir seu sono.
Vê o tamanho da noite que entra no quarto e conforma-se: "poeta que não sofre de insônia, tem mais é que sofrer por amor".

25 de julho de 2011

Lágrima

Brota nos olhos
a secura negra da infelicidade.
Nos olhos negros
o brotar da infelicidade seca.
Nos olhos secos.
Fez-se o seco da vida em olhar
Fez da vida um seco olhar,
dos olhos um seco viver,
na vida, o olho secar.
Percorrendo os caminhos da vida infeliz
Brota nos olhos
a umidade azul da alma.

16 de julho de 2011

Verde,

Te componho quando te querem
Te ajudo a ser mais claro
Te faço vivo
vibrante

Mesmo quando estamos longe
em ti me transformo
Pra ti me doo
Te dou toda minha luz
Me apago
só para te ver brilhar

Mas quando quiseres o escuro
corre para o azul,
Que lá estarás a salvo
do meu exagero imenso
quando resolvo te afetar.


                                Amarelo

5 de julho de 2011

Poesia Para Meu Tio

Domina as letras
e desenvolve os passos
onde o papel é palco
a tinta é rastro.

Conduz a palavra
numa valsa e dança
E dança
A dança que corre em si.

Assim domina os passos
e desenvolve as letras
Assim a valsa dança
que corre no papel

Agarra a letra
e devolve um verso
Floreia a dama frase
Salta, desliza, gira
não a deixa cair.

No final,
está sua dama posta no palco
em suor
como flor no orvalho.
É pequena, delicada
Esquecida no papel.

Apaga a última luz
Respira, 7... 8.
Acabou...

É poesia.

4 de julho de 2011

Rumo Sentido

O que parecia longe
se forma em rumo,
em prosa.
E não é o rumo que me dá sentido
Porque rumo é o que sinto
Rumo é só caminho.
Sentido é o que não.

Distância é só o jeito de ver
o que agora é tão junto
De um junto jeito
que me faz perder o fio do sentido
virar só sentimento.

Sentido é o que não falta.